sexta-feira, 29 de maio de 2009

Nem tem título

Por Leandro M.

Hoje o dia foi, sem dúvidas, diferente! Eu estava alegremente curtindo meu prolongado inferno astral enquanto aguardava meu velho e querido ônibus pra ir embora...e aguardava...e aguardava... ele estava visivelmente atrasado e eu visivelmente irritado. Cansado de esperar, decidi pegar o primeiro ônibus que aparecesse e descer no ponto final! [malandragem mode on].

Para a minha sorte veio um “praça da sé” e eu não teria que andar tanto pra chegar no terminal. Alegre e contente, peguei o ônibus e desci no ponto final que era entre a querida Faculdade de direito do Largo São Francisco e a Praça da Sé... logo mais à frente eu ouvi um certo tumulto e, medroso que sou, entrei em um sebo para me proteger e talvez fazer algumas comprinhas!

Depois de adquirir um livro e alguns ácaros, continuei minha jornada emocionante pelo Marco Zero de Sampa e descobri que o “tumulto” era, na verdade, algum tipo de protesto por parte de pessoas que realmente acreditam nas bobagens que ouvem e acham que um dos presidenciáveis desse meu Brasil varonil vai privatizar até o ar que respiram bem em frente à escadaria da catedral.

Ignorei os anencéfalos barulhentos e segui meu caminho passando por uma roda de pessoas que assistiam um bêbado pastor fazer exorcismos em praça pública e algumas belas jovens que me ofereciam serviços... eis que surgiu diante de mim,no prédio da caixa, o verdadeiro tema deste post! É! Você perdeu um belo de um tempo 

É o seguinte! Está rolando na Caixa Cultural, a exposição de fotografia “A New York Hotel Story” da fotógrafa canadense Nathalie Daoust. Tudo bem que é só uma parte do acervo da exposição, mas tem fotos muito boas! Quem puder ir, vale totalmente a pena. E o melhor : é grátis!

No mesmo prédio também tem uma exposição sobre índios na Amazônia... e é bem legal se você tiver interessado em índios e índias usando havaianas e shorts.

Também nesse ilustre prédio tem o museu da CAIXA e lá tem várias coisas de museu! É pessoal. Vale a pena pela vista das janelas e pelo clima “filme de terror” proporcionado pelos vários quadros e móveis velhos... principalmente se você for o único visitante.

Bom! Amanhã é um dia especial viu galera? Tem festa da FAU! E também é aniversário da minha queridíssima Tati... mas isto é secundário.

Fui!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Caixa de sonhos.

Por Tati Rosset

Hoje é o dia da alegria. Mentira, mas hoje foi um dia bom. Ontem eu li um texto do Veríssimo, e juro que nunca me identifiquei tanto com um texto quanto ontem, foi a experiência mais mágica da minha vida, saber que um dos meus maiores ídolos é tão estranhamente parecido comigo. Me explico:

Ele relata uma consulta dele com um psicólogo, e enquanto ele está na sala de espera, esperando para ser atendido, ele começa a reparar nas pessoas que estão no mesmo espaço que ele, e cria histórias super fantasiosas sobre as mesmas, que no fim acabam sendo bem mais simples do a que a imaginação do autor.

Eu me sinto exatamente como ele, é algo realmente impressionante. Quando estou no metrô, a coisa que mais gosto de fazer é olhar pra alguma pessoa e imaginar a história de vida delas, seus sonhos, suas angústias. É intrigante, tantas coisas surgem na sua cabeça de uma hora pra outra, porque uma expressão revela tantas coisas!

É mais normal criar histórias para as pessoas da minha faixa etária. Como pego o metrô muito cedo de segunda a sábado, normalmente são as pessoas que tem o mesmo estilo de vida que eu (entende-se cursinho) que pegam metrô no mesmo horário. Não querendo “puxar o saco” da minha geração, mas é incrível como o nosso olhar transmite sonhos. Parece que com o tempo, nossos sonhos vão se perdendo, nos vamos no tornando mais preocupados em ganhar dinheiro do que em realmente realizar nossos sonhos. E isso não acontece só da faixa “jovem” pra faixa “adulta”, mas sim em todas as fases!

Por exemplo, quantos sonhos nós não tivemos na nossa infância que nunca nem realizamos. Sabe aquele pônei rosa que você queria colocar no seu quarto de 2x2? Não ganhou né? E aquele castelo que você ia construir naquele país que você nem conhecia o nome (e hoje você já sabe a bacia hidrográfica e o relevo do lugar)? Esqueceu dele também?

Nós tínhamos tantos sonhos! E eles eram sazonais! Trocavam com a mesma facilidade que trocávamos de roupa. E, conforme o tempo passa, nossos sonhos vão se perdendo, vão se tornando menos importantes.

Nosso sonho de salvar o mundo da poluição se perde quando precisamos trabalhar numa fábrica que só gera lucro quando produz poluição. Nosso sonho de acabar com a pobreza acaba quando precisamos de subordinados, que nos obedeçam não por respeito, mas pelo 13° do final do ano.

Espero não ser assim, espero continuar tendo sonhos. Não só os concretos! Quero sonhar principalmente com o que não consigo tocar, quero criar meu próprio refugio, minha caixa de sonhos! E talvez eu consiga...

Talvez se eu não esquecer de quem sou hoje,
Talvez se eu não esquecer de quem está do meu lado hoje,
Talvez se eu não me distraísse tanto,
Talvez se eu não falasse sozinha comigo mesma em lugares públicos (e lotados),
Talvez se eu transformasse o mundo em algo mais simples,
Talvez se eu tivesse minha caixa de sonhos,
Talvez se você tivesse a sua,
Talvez o mundo e os sonhos não seriam um tão grande talvez.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Time to relax.



Saia da prova e tire o dia para desenhar! Sente no centro da cidade, peça um café e leve um lápis. É fácil! meia dúzia de rabiscos, se auto intitule surrealista, misture quadros e ninguém vai ver que você não sabe desenhar. :)

prometo que em breve posto algo legal!

Leandro

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Brainstorm

Por Tati Rosset

Eu estava sem a menor inspiração hoje pra escrever algo no blog, acho que é porque gastei toda a minha criatividade durante a aula de redação, com um café numa mão e uma caneta na outra. Mas enfim, faz um certo tempo que não apareço por aqui (certo tempo? São quatro dias! Isso que é falta de compromisso com alguma coisa! Peço desculpas) e resolvi escrever algo, produtivo, mas menos significativo.

Como sempre acontece quando a inspiração me falta e as minhas crises do escritor me afligem, resolvi fazer uma viagem ao passado: peguei todas as cartas que recebi durante minha vida, reli históricos de MSN que não lia há muito tempo e até minhas agendas do fundamental receberam sua dose de leitura hoje.

É incrível o quanto me divirto lendo as besteiras que eu já pensei e escrevi, e aposto que quem vê as fotos de um passado não tão distante também sente a mesma coisa que eu sinto lendo o que já escrevi.

Sempre que leio essas coisas que tanto marcam minha vida, as frases que normalmente me vem à cabeça são coisas do tipo: “como eu pude escrever isso?”; “eu não sabia que coisa se escrevia com S e não com Z?”; “Gente, como eu pude me empolgar com uma atitude besta dessas?”.

Na época eu tinha uns 12 anos, não tinha personalidade formada, não tinha nada formado, era mais cabeça oca que a maioria das meninas da minha idade (exagero mode on), e hoje é normal pensar uma coisa dessas, afinal graças a Deus as pessoas evoluem! Agora, mas e quando você chega na chamada “idade adulta”? Sua personalidade está formada, do que você gosta e não gosta também. Você sabe definir se é um solo de guitarra ou um cara cantando músicas meladas que te fazem feliz, você sabe escolher as suas amizades, você se junta com pessoas que se pareçam com você e blah blah blah...

Mas até onde isso é verdade? Afinal, afinidade é uma coisa, mas ser parecido é outra. Nunca na existência da terra terão duas pessoas iguais! Cada um com seus defeitos e com suas virtudes! Mas até onde nós sabemos definir o que é certo e errado? Educação? Convivência? Cultura? “Desligue a televisão e vá ler um livro”?

Não sei, juro que não sei. Sei do que gosto, e sei também do que não gosto. Sei que o que escrevi ontem é besteira pra mim hoje, e talvez o que escrevi hoje será ridículo pra mim amanhã! Sem medo de errar, sem falsas impressões a passar. Apenas o que você é naquele momento, uma unidade, uma pessoa única.

Voltando de metrô pra casa hoje percebi que o meu horário favorito de São Paulo é 5:30, 6 da tarde. O sol bate num ângulo perfeito nos prédios, o céu esta no esplendor de seu azul acinzentado e as pessoas circulam com mais furor que normalmente circulam (tanto as pessoas como os helicópteros). Quem mais será que vê a cidade do jeito que eu vejo? Acho que ninguém pensa nisso quando ta no metro lotado. E sabe por quê?

Porque eu, você, e todo mundo, somos únicos; Insubstituíveis e inesquecíveis.

Philosophie de la Taverne II

Post à la Twitter:

Hoje eu percebi que o metrô é o melhor lugar pra estudar física.
É lá que você sente na pele que 2 corpos não conseguem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo.

Ainda tenho esperanças que as pessoas percebam isso e eu nunca mais fique esmagado

E, ah! não acreditem na previsão do tempo.


Beijos e boa SEXta feira
Leandro

terça-feira, 19 de maio de 2009

Através do vidro do meu ônibus.

Por Leandro M.

Oi pessoal! Finalmente estou livre e a casa fede menos, já posso escrever!
Bom, a semana passada foi bem ruin! Mas, pelo menos, a casa manteve a integridade física e eu também. Sabe, passando a raiva, foi uma semana até engraçada! Na quinta feira eu cheguei em casa e a minha vó estava sentada no quintal olhando pra parede com uma caixa de leite em uma mão e um cigarro na outra... e ela ficou assim por um bom tempo... O que leva alguém a ficar sentada fumando com uma caixa de leite na mão? Tenso!

Fora o “nojinho” que resta em 96% dos locais (inclua ai meu cobertor que está com uma deliciosa fragrância) está tudo muitíssimo bem! Minha cachorra até parou de se esconder embaixo da lava-roupas.

Mudando de assunto...

Tati! Sua burguesinha. Bem vinda ao meu cotidiano na zona leste. A diferença é que aqui a própria natureza encarrega-se de se livrar dos corpos (lê-se decomposição). Você fala de ir pra outro município como se fosse uma puta viagem! Santo André é aqui do lado. E como foi o casamento? A galera quer saber! Pronto, intertextualidade feita, vou falar as minhas bobagens.

Da janela do meu ônibus eu também vejo, diariamente, coisas que são realmente intrigantes. Apesar de tudo que acontece, toda a violência, falta de um monte de coisas, o Brasileiro consegue ser feliz! É bem a cara daquela música do Vinny de Moraes : “mesmo com toda a (...) a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando essa (...)”.

Às vezes dá até pra esboçar um sorriso quando, passando pelo maravilhoso, multifacetado e cosmopolita Terminal Pq. D. Pedro II, você pode ver vários moradores de rua brincando de jogar água nos outros, sacaneando o outro quando o mesmo está atendendo à um chamado da natureza ou até mesmo casais namorando embaixo da árvore. É aquele sentimento que meu professor de literatura disse uma vez: “vamo lá galera, tá ruin mas ta bom! Vamo indo, vamo LEVANDO!”. Vinny estava certo, outra vez.

Os Paulistanos são tão engraçados que, no centro, mesmo quando chega a polícia ou “o rapa” os camelôs saem correndo dando risada. Falando nisso, hoje eu percebi que tem algumas coisas que Brasileiro adora ver, desgraça alheia é uma delas. Acidente na rua? Metade da população tá em volta. Alguém morreu no meio da praça da sé? São Paulo pára pra ver. Cantada de pneu seguido de barulho de batida? O transito pára e só anda depois de 40 minutos no mínimo. Correria então? Meu deus! Vai na 25 de março e grita “OLHA O RAPAAAAA”. Vai ser o dia mais divertido da sua vida, e talvez o último.

São Paulo é ótima! Com apenas 2,30 e alguma imaginação você se diverte de montão.

Ótimo slogan pro Kassab! Mentira, foi péssimo.

Beijos e Abraços!

domingo, 17 de maio de 2009

Através do vidro do meu carro

Por Tati Rosset

O nível de improdutividade hoje está alto. Não tenho grandes casos pra contar, nem o Lê, mas ai eu lembrei de algo que me aconteceu na sexta feira, e que me fez conhecer a São Paulo por trás da São Paulo que eu achava que conhecia.

Estava eu e minha família indo para um casamento em um local que nem na cidade de São Paulo é: já era outro Município, mas era pertinho e eu tinha aula no sábado, então resolvemos ir e voltar pra casa, e não ficarmos em um hotel ou coisa parecida. Nos arrumamos e saímos da casa da minha vó (que é um pouco melhor que a vó do Lê) pontualmente as oito horas (meu pai nos obriga a ser pontuais). Pegamos a Ayrton Senna (tão famosa Ayrton Senna), passamos pelo aeroporto, e ai chegamos ao tema do meu post de hoje.

Não sei exatamente que bairro que era, nem qual era o nome da avenida (a avenida mais longa que eu já peguei na minha vida, de fato), só sei que era na Zona Leste (quote: absolutamente nada contra a ZL, estudei meus três últimos anos lá, meus avós moraram toda a minha infância na Mooca, cresci lá praticamente), uma Zona Leste que ninguém que lê esse blog deve conhecer. A única coisa que sei é que passei por dois corpos (de seres humanos), o que foi realmente traumatizante: O primeiro estava com apenas um carro policial ao lado, com alguém com a mão na jugular da pessoa ao chão, provavelmente checando o pulso dela, e o segundo, mais traumático, estava cercado por carros de policia e ambulâncias.

Eu sempre amei São Paulo, e continuo amando mesmo depois disso, mas o que eu vi sexta feira, nessas poucas horas de carro, realmente me assustou e me deixou chateada.

É triste que pessoas da mesma idade que eu não tenham acesso as mesmas coisas que eu tenho, que não tenham direito a uma educação decente, a pais presentes, a ir a lugares legais, que transmitam cultura e lazer, que vivam em condições que os níveis da maioria das pessoas considera sub-humana.

É o que o livro “O cortiço” fala: o meio muda as pessoas. E realmente muda! É incrível como por questão de sobrevivência ou de educação as pessoas são levadas a fazer atos que considero tristes e não condizentes com a natureza humana, por quê na minha singela opinião, o ser humano nasceu sim bom, nos é que nos corrompemos conforme a vida passa (e agora mais do que comprovado, pelo ambiente em que vivemos). Não é a toa que as crianças são consideradas os seres mais adoráveis e verdadeiros que conhecemos: elas ainda não foram corrompidas pelo meio!

É isso, em questão de horas passei de uma realidade a outra, o que me fez refletir e ficar realmente triste, pois a cidade que tanto amo consegue ser ao mesmo tempo catastrófica e maravilhosa.

P.s.: eu e o Lê pedimos desculpa pela falta de atualização do blog, é que nos andamos com o tempo realmente escasso e com a criatividade no meio de uma crise.